segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

2.

Querida distância,
Tu que és gémea da saudade. Tu que muitas vezes transformas amor em desespero. Tu que achas que por vezes podes fazer o bem, sabias que és odiada por muitas pessoas? Eu posso dar-te o meu próprio testemunho. Não gosto n-a-d-a de ti ! Iludes-me num piscar de olhos, fazes-me acreditar que no final eu vou perceber que só me fizeste bem. É mentira. A pura das mentiras. Tu não me fazes bem, de todo. Tu levas-me as pessoas que mais me fazem falta, aquelas que conseguem descongelar a frieza do meu coração. Afastas-me das pessoas que conseguem fazer-me sorrir, mas sorrir a sério, soltar aquelas gargalhadas espontâneas que se nota que me fazem tão feliz. És tão persuasiva que chegas a fazer com que eu própria acredite que está tudo bem. Não está nada bem. Ao contrário de ti a tua irmã não me ilude, embora seja mais cruel. Não chegavas tu? Porquê, porquê existir a saudade? Ela é tão má, ela... Dói tanto. Quando eu penso que o meu coração devia ser descongelado, eu não estava a dizer em lágrimas mas vocês percebem tudo mal. Viram a minha vida do avesso, levam-me as pessoas que aqueciam o meu coração, mas um calor aconchegante, e trocam-nas por um rio gélido de lágrimas. Qual é o vosso interesse em fazer tanto mal às pessoas? Isso torna-vos mais felizes? A mim não. Seria tão mais feliz sem vocês na minha vida, sem as noites inquietantes a pensar no passado que vocês me roubaram. Seria tão mais feliz se não tivesse a toda a hora um pensamento de preocupação, se conseguisse tirar este nó na garganta que me mata constantemente. Eu sei que não estou em posição de pedir nada, que sou só uma no meio de imensas pessoas às quais vocês transtornam a vida, mas gostaria imenso que, por uns momentos, me deixassem em paz. Porque não me venham dizer que o tempo cura tudo. As verdadeiras saudades, aquelas que uma grande distância provoca, o tempo não cura. 

Cláudia Rodrigues

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