sábado, 1 de novembro de 2014

4.

Querida ilusão,
Tu fazes mesmo falta? Sempre foi algo que me intrigou. Alguém te quer? Desculpa a sinceridade mas... Ninguém te quer. Ninguém quer ser enganado, ninguém quer viver no jogo em que tu vives.
No fundo, tu existes para quê? O que não faz falta ao mundo, não devia sequer existir. Ponto final.
Gostava de ter mais para te dizer, mas detesto-te tanto que nem mereces que te escreva. Ou melhor, mereces que te digam que não prestas, que não fazes sentido. Persuades as pessoas a fazerem coisas, a pensarem coisas, como se alguma vez fossem possíveis de acontecer e no final... no final não são. Tem piada fazer isso? Tem gozo para ti? É que desculpa, nunca vou entender que piada tem fazeres isto. Mas pronto, tu és crescida, tens muitos anos de vida e fazes isto desde sempre. Há-de fazer algum sentido para ti. Cá pra mim tu és só mais uma fracassada que não consegue ser feliz e por isso magoa os outros para conseguir sentir algo. Mas isso é mesmo triste. É triste, se isto realmente for verdade. Mas sabes que mais, não quero saber. Não quero ter nada a ver contigo! Não quero que me procures. Aliás, quero que me esqueças. Esquece que eu existo. Não te quero na minha vida, quero ser feliz.

Cláudia Rodrigues

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

3.

Querido amor, 
Não estaria a escrever-te se isto não estivesse cada vez mais grave. Cada vez mais há pessoas a sentirem tristeza em vez de felicidade e não te vejo a fazer nada. O que são feitos dos teus grandes feitos, do romantismo inigualável que havia antigamente? Porque é que te tornaste um conformista e te sentas à espera do acaso? Tu nunca foste de esperar pelo destino. Não no que se referia a ti. Sempre foste corajoso, valente. Sempre quiseste ser o maior, o mais importante, o que prevalecia acima de tudo e todos mas agora vejo-te a ser um mero naufrago à deriva num mar que já nem é dele. Não seria eu uma pessoa decente se não quisesse que voltasses aos teus dias de glória. Quero, quero mesmo muito, não só por mim mas por todos aqueles a quem a tristeza assombra. Não sejas fraco e luta. Impõem-te a alcança o teu lugar ao sol. Tenho a certeza que o mundo seria bem melhor.

Cláudia Rodrigues

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

2.

Querida distância,
Tu que és gémea da saudade. Tu que muitas vezes transformas amor em desespero. Tu que achas que por vezes podes fazer o bem, sabias que és odiada por muitas pessoas? Eu posso dar-te o meu próprio testemunho. Não gosto n-a-d-a de ti ! Iludes-me num piscar de olhos, fazes-me acreditar que no final eu vou perceber que só me fizeste bem. É mentira. A pura das mentiras. Tu não me fazes bem, de todo. Tu levas-me as pessoas que mais me fazem falta, aquelas que conseguem descongelar a frieza do meu coração. Afastas-me das pessoas que conseguem fazer-me sorrir, mas sorrir a sério, soltar aquelas gargalhadas espontâneas que se nota que me fazem tão feliz. És tão persuasiva que chegas a fazer com que eu própria acredite que está tudo bem. Não está nada bem. Ao contrário de ti a tua irmã não me ilude, embora seja mais cruel. Não chegavas tu? Porquê, porquê existir a saudade? Ela é tão má, ela... Dói tanto. Quando eu penso que o meu coração devia ser descongelado, eu não estava a dizer em lágrimas mas vocês percebem tudo mal. Viram a minha vida do avesso, levam-me as pessoas que aqueciam o meu coração, mas um calor aconchegante, e trocam-nas por um rio gélido de lágrimas. Qual é o vosso interesse em fazer tanto mal às pessoas? Isso torna-vos mais felizes? A mim não. Seria tão mais feliz sem vocês na minha vida, sem as noites inquietantes a pensar no passado que vocês me roubaram. Seria tão mais feliz se não tivesse a toda a hora um pensamento de preocupação, se conseguisse tirar este nó na garganta que me mata constantemente. Eu sei que não estou em posição de pedir nada, que sou só uma no meio de imensas pessoas às quais vocês transtornam a vida, mas gostaria imenso que, por uns momentos, me deixassem em paz. Porque não me venham dizer que o tempo cura tudo. As verdadeiras saudades, aquelas que uma grande distância provoca, o tempo não cura. 

Cláudia Rodrigues

1.

Querida Expectativa,
Tu que nos estendes a mão e nos entregas uma dúvida. Tu que nos levas a coragem de algo que é possível de acontecer. És um parasita mutante que muitas vezes te transformas em luz ao fundo do túnel apenas para não nos fazer desistir. Serias uma heroína se acompanhada da esperança não viessem os choros e as desilusões. Tu falhas a maior parte das vezes e mesmo assim és persistente. Não desistes de nos fazer acreditar e fazer com que isso se torne um ciclo vicioso que nos leva das borboletas na barriga à parede onde vamos bater com a cabeça. Serias, também, mais inteligente de desistisses de nos tentar fazer feliz mas era demasiado irónico para a tua conduta. No fundo quero que saibas que não és das minhas melhores amigas. No fundo odeio-te e seria uma grande alegria se saísses da minha vida.

Cláudia Rodrigues